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Humorista


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A moeda tal como a conhecemos vai acabar. Sempre especulei como seria viver na altura da troca directa: “Por quantas melancias posso ficar com essas botas?”. Que romântico era comprar. Depois tudo se tornou metálico, pesado e redondo. Gostaria de ter estado presente no dia em que a forma circular da moeda ganhou com maioria relativa. Teve para ser em triângulo mas o rosto da candidatura era albino, baixa estatura e perdeu para o candidato cuja mulher ia todos os dias ao ginásio. A nova moeda será digital. Aliás, já é, ou melhor, já há. Em Paris, podem comprar-se vestidos através de uma moeda invisível. Há quem compare o esquema “pirâmidesco” à Herbalife, dizem que é uma bolha que vai rebentar. Que os espertos já investiram a tempo e que os totós vão perder dinheiro. Existe uma discussão fervorosa em torno desta moeda sem forma, que parece usar o manto da invisibilidade do Harry Potter, não se vê, mas está lá a fazer caretas. Idealistas recusam-se em investir em algo que não se toca, não patrocinarão, dizem, uma factura que todos vamos pagar. Capiltalistas gulosos sem hesitações ideológicos continuam a pagar para ver. Eu que nada sei de economia apenas intuo que tudo me parece mais uma guerra Evolução Vs Conservadorismo ( uma nova Uber vs Táxi). Hesito mas pendo para um dos lados e a culpa é da palavra: bitcoin. Que nome venenoso por qual me parece que todos secumbiremos. Como pode estar esta palavra, ou conceito, errado? Quando ouvi o nome da nova moeda pela primeira vez foi como se me injectassem no léxico aquilo que aí vem . É claro, exclamo, que a nova moeda não existirá fisicamente, o futuro é isto mesmo, fazer desaparecer tudo aquilo que é acessório.
É o que é o futuro senão a evolução do transtorno. Na saúde, na agricultura, na roupa interior –sobretudo. Portanto, o negócio da bitcoin pode ser uma trapaça, pode estar tudo mal, eticamente pode ser perigoso, como investimento um tiro no pé. Mas a nova palavra é esta. A moeda do futuro será uma bitcoin qualquer. Pode não ser esta a ficar, mas esta é certamente o primeiro soldado a desembarcar na Normandia, a levar tiros e a ficar na história com uma medalha de reconhecimento por ter feito bem. Ou mal.


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